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Banco Central reduzirá taxa básica de juros para 11,25% na quarta-feira

Data: 
10/04/2017 - 12:30
Correio Braziliense
Vista do Banco Central em Brasília

A profunda recessão econômica e o contínuo processo de arrefecimento da inflação permitiriam ao Banco Central cortar os juros em mais de um ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que começa amanhã e termina na quarta-feira, avaliam economistas. Mas, apesar das condições macroeconômicas favoráveis para acelerar a redução da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 12,25%, os mesmos especialistas avaliam que a equipe de Ilan Goldfajn será cautelosa, diante do quadro político conturbado e das tensões mundiais.

No mercado, o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março, que cravou alta de 0,25% — abaixo do 0,28% projetado pela diretoria do BC no RTI (Relatório Trimestral de Inflação) —, reforçou o discurso de quem espera uma atuação mais agressiva da autoridade monetária para reduzir os juros. Esse desempenho levou a inflação do primeiro trimestre, de 0,96%, ao menor nível desde o início do Plano Real, em 1994.

Quem conhece a equipe de Ilan avalia que, mesmo com o ambiente favorável para cortes mais profundos na Selic, o BC será cautelosa e manterá o discurso de aceleração moderada na condução da política monetária . Na última reunião do Copom, o BC surpreendeu o mercado com corte nos juros de 0,75 ponto percentual, quando a maioria das apostas era de que a redução seria de 0,5 ponto. Apesar do quadro atual, o mercado descarta uma nova surpresa.
Preocupações

Técnicos da autoridade monetária ressaltam que as principais preocupações dos diretores do BC, no momento, são a escalada das tensões globais — com os ataques dos Estados Unidos à Síria — e o aumento da percepção de que a reforma da Previdência não deve ser aprovada no Congresso Nacional. Sem o aval dos parlamentares para mudar as normas para concessão de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), a trajetória de crescimento da dívida pública não mudará e as contas públicas continuarão fragilizadas.

 

Além disso, a incursão militar norte-americana contra armas químicas desagradou a Rússia e um eventual conflito entre as duas maiores potências bélicas mundiais provocaria histeria nos mercados globais, empurrando o dólar para cima, o que pressionaria a inflação. Com isso, o BC seria obrigado a interromper o ciclo de afrouxamento monetário e até a alta de juros voltaria a ser debatida.

Com a inflação caminhando para o centro da meta, de 4,5%, a taxa de juros ainda se encontra em patamar contracionista, avalia o economista da Daycoval Investimentos, Rafael Cardoso. Para ele, promover cortes superiores a um ponto percentual na Selic favoreceria empresas e famílias que estão endividadas e teriam melhores condições para renegociar os débitos.

Cardoso defende cortes mais intensos na taxa de juros. “Os próximos meses deixarão claro para o BC que a trajetória de inflação é benigna e que a atividade econômica continuará fraca. A inflação tem caído de maneira acentuada e, com o passar do tempo, a autoridade monetária dará mais peso ao IPCA do próximo ano. E as expectativas estão ancoradas”, explica. Na opinião dele, o BC fará dois cortes seguidos de um ponto percentual e uma terceira redução nesse patamar não está descartada, diante da fraqueza da atividade econômica e da inflação comportada.